Monday, 26 July 2010

Calixto Bieito e a ópera hardcore





O post de hoje é sobre o trabalho de um dos mais controversos diretores do cenário operístico atual, o catalão Calixto Bieito. Considerado a fina flor do Eurotrash (e provavelmente odiado por Franco Zeffireli, embora ele não se digne a proferir o nome com a iniciais CB), Bieito tem seu público, principalmente em Barcelona e na Alemanha (onde perpretou sua mais escandalosa montagem - O Rapto do Serralho de Mozart), e tem colecionado alguns sucessos - o último deles em Stuttgart, com um Parsifal considerado 'eletrizante' pelo público. Iconoclasta por princípio, Bieito não deixa pedra sobre pedra em suas produções, e, ao contrário de seu contemporâneo Carlos Padrissa (que baixou BEM o tom quando levou a linguagem do seu grupo Fura dels Baus para os teatros de ópera), não abandonou a nudez, a perversão, a mutilação, etc. Polêmica que não chegaria ao teatro dramático, acostumado com esse tipo de coisa (vide Artaud, Grotowski, Zé Celso e outros mais). Fato é que, mesmo com o surgimento cada vez maior de montagens anacrônicas (no bom sentido) e simbolistas, dirigidas por Carsen, McVicar, Sellars e outros diretores contemporâneos, o trabalho de Bieito é o mais transgressor, para o bem e para o mal.

Algumas palavras do tenor Andrew Richards, que trabalhou com Bieito recentemente (do seu excelente blog Opera Rocks):

(...) Which, I guess, was how I lasted thru the Bieito ordeal. I'm so sad to be approaching the final performance. Not to see my colleagues and friends at the opera will be hard, but harder still is the physical challenge to "Let go." The inner voices of self-doubt that plague many performers just ceased in the ordeal. There wasn't any place for them. For all of us. You just had to give yourself over to craziness. Because, come on, Calixto is NUTS! In all the right ways. I will miss him the most.

Deus abençoe os polemistas.


Obs.: O video abaixo é da TV alemã - sem legendas - mas as imagens e o tom de voz dos entrevistados falam por si mesmos.



Tuesday, 20 July 2010

Light Fantastic




Uma oportunidade imperdível pra quem procura um excelente livro sobre iluminação cênica: Light Fantastic, de Max Keller - em nova edição, de agora, abril de 2010 - está sendo vendido na Amazon com um super desconto - de US$95 por US$59,85. Este é provavelmente o melhor livro da área, principalmente para 'usuários avançados'. A resenha:

Now available in a completely revised, updated,
and expanded edition, this book is the definitive
guide to stage lighting design by a virtuoso in
the field. As beautiful as it is instructive, this award-winning book on all
aspects of theatrical lighting design has become the standard
resource in the field. Light Fantastic has received accolades
from the theater community, including the Golden Pen Award
from the Institute for Theater Technology and Outstanding
Academic Title award from Choice magazine.
Now in its third edition, Light Fantastic has been expanded to
include breathtaking new photographs from author Max
Keller s most recent productions. The text has been brought
up to date to reflect the latest technological advances, while
new essays on light in architecture, lighting for music
concerts, and the metaphysics and politics of light broaden
its scope. Keller s extensive knowledge and experience on
some of the world s most celebrated stages make him the
definitive source for veterans or those new to the field of stage
lighting. Throughout the book hundreds of vibrant color
photographs convey the excitement of live performance. This
remarkable volume is an indispensable handbook to stage
lighting design.

Novas aquisições




De tempos em tempos eu busco novos títulos para ampliar a minha - pequena e incipiente - biblioteca especializada em arquitetura teatral e congêneres. No final de semana comprei três novos livros. Compro sempre na Amazon - que é a melhor loja online para aquisição de livros importados em inglês (lembrando que livros NÃO pagam imposto de importação, e que a opção de frete internacional standard não é tão cara - se você não tiver pressa). O preview do conteúdo foi ampliado, e algumas obras têm capítulos inteiros para serem desfrutados online.

É o caso deste livro aqui:
Theatre Buildings: A Design Guide. Com uma abordagem técnica e prática, a marca da Association of British Theatre Technicians e a colaboração de um time de especialistas ingleses (os melhores do mundo, na minha modesta opinião), o livro está sendo publicado pela Routledge (a mesma editora de Architecture, Actor and Audience, de Iain Mackintosh), e parece ter um conteúdo ainda melhor que o Buildings for the Performing Arts do Ian Appleton, ou o Theatre Planning do Roderick Ham (que já tem mais de trinta anos). Os estudos de caso - 28 diferentes teatros, entre os mais importantes do mundo - são talvez mais significativos que os exemplos de George Izenour no seu livro Theatre Design - que não é mais a grande referência que foi um dia. Os capítulos incluem assuntos que estão na ordem do dia - acessibilidade e sustentabilidade, por exemplo, além de todos os aspectos dos sistemas ambientais já conhecidos: espaços serventes e servidos (incluindo áreas administrativas e técnicas, salas de ensaio, depósitos etc), projeto de palco e platéia, mecânica cênica, iluminação, eletroacústica e muito mais.

Como ainda não tenho o livro em mãos (o lançamento está sendo feito por estes dias), me baseei no que eu vi no site da Amazon. Depois que o livro chegar eu confirmo se é isso tudo mesmo - ou não.


Friday, 9 July 2010

Der Ring des Nibelungen em Valencia




O post de hoje é sobre a estupefaciente produção do Anel do Nibelungo de Wagner em Valencia, no não menos surpreendente conjunto arquitetônico projetado por Santiago Calatrava - o Palau de les Arts Reina Sofía. A montagem, dirigida por Carlos Padrisa (do grupo espanho La Fura dels Baus) utiliza os recursos de linguagem já tornados clássicos de outras produções do grupo, como a Flauta Mágica na Ruhrtrienalle em 2003, que vai merecer um post à parte. No DVD da primeira parte da tetralogia (Das Rheingold) vem esse trailer + galeria de imagens. Do mesmo DVD, que pode ser encontrado aqui, faz parte o making of do espetáculo.


Saturday, 3 July 2010

William Klein e O Messias de Handel




Falei da versão do Claus Guth para o Messias aqui, mas não poderia deixar de aproveitar a ocasião para citar a versão cinematográfica de William Klein (mais conhecido por seu trabalho para a Vogue estadunidense e seus ensaios fotojornalísticos). Esse filme é de 1999. Como em outros trabalhos de Klein, ele é um comentário irônico e preciso sobre questões cruciais da sociedade multi-étnica e da cultura pop, e um exemplo da influência da obra de Handel, mesmo 250 anos depois de sua morte.
Vejam a versão de Klein para o 'The trumpet shall sound', com Marc Minkowski e Les Musiciens du Louvre - aqui com o respectivo recitativo.


Thursday, 1 July 2010

Claus Guth em Viena e O Messias de Handel



Controvérsias à parte, o fato é que a produção dirigida pelo Claus Guth no Theater an der Wien em 2009 é a coisa mais interessante feita a partir de um oratório desde a Theodora do Peter Sellars em Glyndebourne, em 1996.

Comentário de um espectador (daqueles que vale a pena ler):


"For me it was very clearly a more or less straight forward story of a
guy committing suicide, not being able to withstand the burdens poised
by demands and pressures of the world in which we are all living. The
...only person knowing that this was suicide is a priest, who stages it
like a murder, so that the guy can be at least properly buried. And the
question arises whether this can be understood and whether there could
be redemption for such a deed. The answer comes from an angel like
figure, though speaking to us in a sign language. (Basically God
speaking to us and us being “blind and deaf” or not open enough to
understand his words)."



Parece interessante, não é? O DVD já está à venda no sistema pre-order (o lançamento vai ser em agosto) aqui. Um preview neste video do Youtube, com a cena do 'The trumpet shall sound'. Especialmente indicado para os fãs do David Lynch (no bom sentido - é claro).